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Avisar que vai faltar sem pedir permissão
Out of office Thursday, back Friday morning resolve a ausência em uma linha, e home office em inglês é o cômodo da casa, nunca o seu dia remoto.
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A cadeira vazia e a data de volta no calendário
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Terrça-feira, cinco da tarde. Você marcou uma consulta médica para quinta e precisa avisar o gerente americano. Abre a janela de mensagem, escreve três linhas, apaga as três, escreve de novo com um pedido de desculpas no começo e uma justificativa clínica no meio. Vinte minutos depois o aviso ainda não saiu, e o que trava não é vocabulário. É a dúvida sobre quanto você precisa explicar para alguém que talvez nem esperasse explicação nenhuma.
No inglês corporativo americano, o aviso de ausência é logística, não confissão. Quem recebe a mensagem quer saber duas informações: em que dia você some e em que dia você volta. Com as duas na mão, a pessoa remaneja reunião, avisa cliente e segue o trabalho. Sem elas, ela precisa responder perguntando, e a sua mensagem longa custou tempo aos dois em vez de economizar.
O brasileiro tende a traduzir a cena inteira do escritório daqui, onde a folga se pede. Vem o condicional, vem o motivo em detalhe, vem o pedido de licença embutido. O resultado soa inseguro num contexto em que o combinado já existe: se o dia de férias está no seu contrato e a agenda comporta, a decisão é sua e a mensagem só comunica.
Há um segundo pedágio no mesmo assunto, e ele é mais silencioso. Ao explicar que vai trabalhar de casa na sexta, quase todo brasileiro escreve home office, do jeito que se fala aqui. Em inglês, a expressão nomeia o cômodo da casa onde ficam a mesa e o computador, um espaço físico com porta. Com maiúscula e artigo, the Home Office, ela vira o ministério do interior britânico, que cuida de polícia, imigração e passaporte desde 1782. Nenhuma das duas leituras é o seu dia de trabalho remoto.
Vale montar a ferramenta na ordem em que o dia usa: primeiro a linha que avisa a ausência e as duas datas que ela carrega, depois a família de palavras que descreve trabalho remoto sem virar mal-entendido.
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I A EXPRESSÃO
A linha que resolve a ausência em uma frase |
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Out of office significa fora do escritório, indisponível para o trabalho normal. A sigla OOO aparece em calendário, status de chat e assunto de email, e todo mundo lê sem hesitar. I'll be out of office Thursday, back Friday morning. Vou estar fora na quinta, de volta na sexta de manhã.
Repare no que a frase faz. Ela dá a data de saída, dá a data de volta e para. Não tem desculpa, não tem motivo, não tem pedido. O verbo no futuro com I'll carrega o tom de aviso, e o back no fim entrega a informação que a outra pessoa realmente precisa para planejar a semana dela.
Existem variações mais curtas e igualmente corretas. I'll be out Thursday. I'm off on Thursday. I'm taking Thursday off. As três funcionam entre colegas. Para um período mais longo, a fôrma se estica sem mudar de lógica: I'll be out of office from Monday to Wednesday, back Thursday.
A estrutura de duas datas
Quem fica no escritório trabalha com a sua data de volta, não com a sua data de saída. É ela que define quando a reunião pode ser remarcada, quando o cliente recebe resposta e quando o projeto volta a andar.
Por isso a segunda data nunca é opcional, mesmo numa ausência de um dia só. Back Friday morning vale mais que back soon, porque soon obriga a outra pessoa a perguntar. E acrescentar o período do dia, morning ou after lunch, evita que alguém marque uma chamada para o horário em que você ainda está chegando.
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Aviso de ausência entrega duas datas, a da saída e a da volta, e a segunda é a que interessa a quem fica.
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Quando pedir e quando avisar
A diferença entre pedir e avisar mora no verbo, e trocar um pelo outro muda o seu lugar na conversa. I'd like to take Thursday off é pedido, e cabe quando a decisão depende mesmo de aprovação, como num período de pico ou num dia de entrega grande.
I'll be taking Thursday off é aviso, e cabe em tudo que já está previsto pela política da empresa. Just a heads-up: I'll be out Thursday abre a mensagem com o sinal de que ali vem informação, não solicitação, e heads-up é a palavra que os americanos usam justamente para avisar com antecedência.
Se você precisa da confirmação de alguém, peça de forma direta e curta. Can you cover the client call on Thursday? Você consegue assumir a chamada com o cliente na quinta? A pergunta objetiva resolve em uma linha o que o parágrafo de justificativa não resolve.
Para a resposta automática do email, a fôrma padrão tem três partes: onde você está, até quando e quem responde no lugar. I'm currently out of office with limited access to email. I'll be back on Friday. For anything urgent, please contact Ana. As três frases cobrem qualquer ausência, de um dia a duas semanas.
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II O ERRO DO BRASILEIRO
Home office é um cômodo, não o seu dia remoto |
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O termo correto para o dia de trabalho fora do escritório é working from home, com a sigla WFH que aparece em calendário e mensagem interna. I'll be working from home on Thursday. Vou trabalhar de casa na quinta. Curto, exato e sem margem para leitura errada.
A alternativa igualmente comum é o adjetivo remote. I'm remote today diz que hoje você está fora do escritório. We're a remote team descreve a empresa inteira distribuída. E remote work é o nome do arranjo, o termo que aparece em vaga de emprego e em política interna.
Home office, sem artigo, é o cômodo. I set up a home office in the spare bedroom. Montei um escritório em casa no quarto de hóspedes. A frase fala de mesa, cadeira e tomada, e um americano que ouvir você dizer que vai fazer home office amanhã vai entender que você planeja montar a mobília.
Com artigo e maiúscula, o significado muda de país. The Home Office é o departamento do governo britânico responsável por imigração, polícia e segurança interna, e ele aparece toda semana no noticiário do Reino Unido. The Home Office announced new visa rules não tem relação nenhuma com trabalho remoto.
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"Clarity about what matters provides clarity about what does not."
> Cal Newport, em Deep Work, 2016.
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A régua vale inteira para a mensagem de ausência. Deixar claro o que importa, as duas datas e quem cobre a sua parte, já deixa claro que o resto não precisa entrar. Motivo detalhado, desculpa repetida e promessa de compensar as horas ocupam espaço sem responder nada.
O par que confunde
A day off é folga, um dia livre do trabalho. I'm taking a day off on Friday. Vou tirar folga na sexta. An off day, com a ordem invertida, é um dia ruim, aquele em que nada rende. I'm having an off day admite que o rendimento está baixo, nada a ver com folga.
Time off é o termo guarda-chuva para qualquer tempo fora do trabalho, e ele aparece na sigla mais frequente do assunto: PTO, de paid time off, o banco de dias pagos que a empresa americana concede. I have three PTO days left this year. Ainda tenho três dias de folga paga neste ano.
Vale ainda separar dois pares que trocam de lado no Atlântico. Nos Estados Unidos, férias é vacation e holiday é feriado. No Reino Unido, holiday cobre os dois sentidos e on holiday significa de férias. Quem escreve para os dois públicos ganha usando time off, que funciona em qualquer lugar.
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