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ED 004

Como pedir mais prazo em inglês

A frase de duas partes que já entrega a data nova, e por que I need more time cru soa a quem perdeu o controle da tarefa.

Um calendário de mesa com um post-it deslocado de um dia para o outro.

A data nova entra antes de a antiga vencer

 

Terça-feira, 18h20, a entrega vence amanhã ao meio-dia. O arquivo está aberto na tela, três quartos pronto, e a parte que falta depende de um número que o time de dados só devolve na quinta. Você sabe que não vai dar. Sabia desde ontem, na verdade, e passou o dia inteiro apostando que daria.

A caixa de mensagem do gerente está aberta. Você digita I need more time, olha a frase por dez segundos e apaga. Digita de novo, apaga de novo. Em português, você mandaria um áudio de quinze segundos explicando a dependência e combinando quinta, e o assunto morreria ali.

O problema não é o inglês da frase. I need more time está gramaticalmente perfeito. O problema é que ela abre com a sua necessidade e fecha sem nenhuma informação nova: quem lê fica com um pedido no colo e nenhuma data para colocar no lugar da antiga. Você transferiu o trabalho de decidir para quem já estava contando com a entrega.

Prazo, no inglês corporativo, é um compromisso público que se renegocia com outro compromisso público. Não se pede alívio, se propõe substituição. Quem manda a mensagem sem a data nova está pedindo alívio, e o gerente lê exatamente isso: alguém que perdeu o controle da tarefa e agora precisa que alguém de fora resolva.

A diferença entre parecer atrasado e parecer organizado mora no timing e na segunda metade da frase. Timing porque um aviso na véspera é uma emergência e um aviso com três dias de folga é gestão. E segunda metade porque a frase que funciona tem duas partes coladas: a que empurra a entrega e a que já fecha a data nova, no mesmo fôlego, sem espaço para o outro lado se perguntar quando.

A boa notícia é que a estrutura é curta e cabe em uma linha de chat. Ela começa por um verbo que quase ninguém aprendeu na escola de idiomas e que aparece toda semana na caixa de entrada de quem trabalha com gente de fora.

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I  A EXPRESSÃO

I want to flag a slip

I want to flag a slip on the report. I can have it by Thursday noon. Quero sinalizar um atraso no relatório. Consigo entregar até quinta ao meio-dia. Duas frases curtas, o problema na primeira, o compromisso novo na segunda.

O verbo to flag é o coração da coisa. Ele significa sinalizar, levantar a bandeirinha antes que o outro descubra sozinho. Quem faz flag de um risco não está confessando falha, está fazendo o trabalho de quem monitora a própria entrega.

As duas partes, sempre coladas

A primeira parte nomeia o objeto e o tamanho do desvio. The deck will slip by two days. A apresentação vai atrasar dois dias. Objeto específico, medida específica, e nenhuma palavra sobre você.

A segunda parte devolve uma data que o outro possa escrever na agenda. I can commit to Thursday at noon. Consigo me comprometer com quinta ao meio-dia. Comprometer, não tentar, porque tentar não entra em cronograma nenhum.

Mandar só a primeira parte é o que cria a pergunta seguinte na cabeça do gerente. Mandar as duas juntas encerra o assunto no primeiro turno de conversa, e é por isso que a mensagem inteira cabe em duas linhas de chat.

Prazo velho só sai da mesa quando um prazo novo entra no lugar.

O cardápio da primeira parte

Heads up: the report is running behind. Aviso: o relatório está atrasando. Heads up é o sinal universal de aviso adiantado no trabalho, e ele avisa que o que vem a seguir é informação, não desculpa.

I want to flag a risk on the timeline. Quero sinalizar um risco no cronograma. Ainda não atrasou, e por isso mesmo essa é a versão mais forte: você está avisando antes de o problema existir.

We are tracking two days behind on the review. Estamos dois dias atrás do previsto na revisão. Registro de status, tom de quadro de controle, útil quando o atraso é do grupo e não seu.

O cardápio da segunda parte

I can have it to you by Thursday, end of day. Consigo mandar até quinta, no fim do dia. End of day é o horário mais aceito em mensagem de trabalho, e ele evita a ambiguidade de um simples quinta.

Would Thursday noon still work for you? Quinta ao meio-dia ainda funciona para você? Formato de pergunta, bom quando existe alguém depois de você na fila que também depende da entrega.

If I get the data by Wednesday, I can close it Thursday. Se eu receber os dados até quarta, fecho na quinta. A condicional expõe a dependência e, de quebra, cobra o outro elo da corrente sem acusar ninguém.

 
 

II  O ERRO DO BRASILEIRO

I need more time pede, não propõe

A mensagem que quase saiu era essa: I need more time to finish this. Preciso de mais tempo para terminar. Cada pedaço dela empurra a conversa para um lugar que você não queria.

I need abre pela sua carência. O inglês corporativo prefere que a frase abra pelo objeto: o relatório, a apresentação, a revisão. Quando o sujeito da frase é o trabalho, o assunto é o cronograma. Quando o sujeito é você, o assunto vira o seu desempenho.

More time é a parte que mais custa caro, porque mais tempo não é uma quantidade. O gerente não consegue fazer nada com mais tempo: ele precisa de um dia, de uma data, de um horário. Deixar em aberto obriga o outro a perguntar quanto, e uma pergunta a mais é a diferença entre um aviso resolvido e um assunto pendurado.

Mais tempo é sentimento. Quinta ao meio-dia é informação.

"Work expands so as to fill the time available for its completion."

Cyril Northcote Parkinson, Parkinson's Law, 1958.

Parkinson descreve o trabalho como um gás que ocupa todo o recipiente. A leitura prática para quem pede prazo é direta: extensão sem data nova não é folga, é recipiente sem parede, e a tarefa se espalha até o próximo susto.

Os falsos amigos do atraso

To delay existe, mas carrega a mão. Em inglês de trabalho, delay costuma descrever atraso causado por alguém e aparece em contexto de reclamação. The vendor delayed the delivery. O fornecedor atrasou a entrega. Usado sobre a própria entrega, ele soa como confissão de culpa.

To slip é o verbo neutro que os times usam entre si. The date slipped. A data escorregou. Escorregar não tem dono, e é exatamente por isso que ele funciona: descreve o cronograma, não o caráter de quem toca a tarefa.

To postpone e to reschedule valem para reunião, não para entrega de trabalho. Você reagenda uma call, você não reagenda um relatório. Trocar os dois é o tipo de erro que denuncia tradução literal na primeira linha.

Justificar demais é o outro erro

I'm so sorry, my internet was down and then my kid got sick and the data team never replied. Três desculpas em uma frase, e o prazo novo nem apareceu. Quem lê registra confusão e passa a checar você com mais frequência.

A régua é uma linha de causa, no máximo. The data came in late, so the report will slip to Thursday. Os dados chegaram atrasados, então o relatório vai para quinta. Causa, efeito, data nova, ponto final.

 
 

III  INGLÊS DE NOTÍCIA

O vocabulário que a imprensa usa para atraso

Abra qualquer nota de imprensa de empresa de tecnologia anunciando um produto que não sai na data e o verbo é sempre o mesmo. The launch has been pushed to the first quarter. O lançamento foi empurrado para o primeiro trimestre. Empresa de bilhão de dólares usa o mesmo verbo que você vai usar no chat com o gerente.

O padrão da nota também é o mesmo da sua mensagem: uma linha de causa, uma data nova, e nada de pedido de desculpas alongado. Quando a data nova falta, a imprensa cobra a data nova, e a manchete do dia seguinte é sobre a incerteza, nunca sobre o adiamento.

O viés que explica o atraso tem nome e endereço acadêmico. Daniel Kahneman e Amos Tversky batizaram de planning fallacy a tendência de estimar prazos pelo melhor cenário possível, ignorando o histórico de atrasos das próprias tarefas anteriores. Não é preguiça, é aritmética otimista, e ela reaparece toda vez que alguém promete a data sem olhar quanto durou a última tarefa parecida.

As palavras que você vai ver e usar

Buffer é a folga que se coloca de propósito na estimativa. I built in a two day buffer. Coloquei dois dias de folga na conta. Quem entrega com buffer raramente precisa da conversa de extensão.

ETA é a sigla de estimated time of arrival, e no trabalho ela virou o jeito curto de perguntar prazo. What's the ETA on the deck? Qual a previsão da apresentação? Responder ETA com um dia da semana, e não com em breve, é metade da reputação de quem entrega.

Deliverable é a entrega em si, o artefato combinado. The deliverable is the final report, not the draft. A entrega é o relatório final, não o rascunho. Confundir os dois cria atraso onde não havia.

To bake in é o irmão do buffer e aparece em cronograma de time. We baked in a week for review. Reservamos uma semana para revisão. Já está dentro do plano, não é pedido de última hora.

An extension é o substantivo do pedido formal. I'd like to request an extension until Thursday. Gostaria de solicitar uma extensão até quinta. Registro alto, bom para cliente e contrato, pesado demais para o chat interno do time.

1. Pegue a entrega mais apertada da sua semana e escreva as duas partes em inglês, uma linha cada: o flag com o objeto e a medida, e a data nova com dia e horário. Se a segunda linha não tiver horário, ela ainda não está pronta.

2. Caça ao I need no seu histórico de mensagens de trabalho em inglês. Cada ocorrência vira uma frase que começa pelo objeto: o relatório, a apresentação, a revisão.

3. Grave a próxima call de alinhamento com o Granola e procure na transcrição toda data que você prometeu de boca. Data prometida em call e nunca escrita é a origem mais comum do atraso que ninguém viu chegar.

"Qual entrega da sua semana ainda está sem uma data nova escrita em algum lugar?"

 
 
Quiz da edição

A edição cita uma frase clássica sobre o trabalho se expandir para ocupar o tempo disponível. De quem é essa frase, segundo o texto?

APeter Drucker
BCyril Northcote Parkinson
CStephen Covey
DCyril Connolly

Resultado da última edição: 100% acertaram.

 
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