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Marina speaking, o jeito inglês de atender o telefone

Nome, speaking e how can I help: em 6 palavras quem atende se apresenta e abre a conversa, sem o I am que soa estranho na linha.

Telefone de mesa com o fone fora do gancho e um post-it.

O telefone que pede nome antes do assunto

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Na recepção da Malharia Vale Azul, em Blumenau, a assistente comercial Marina Lopes atendeu a primeira ligação de fora daquela semana com a frase que tinha ensaiado no carro: “Hello, I am Marina. Who is speaking?”

Quem ligava era Daniel Reeves, comprador da Northgate Apparel, rede de lojas de roupa com sede em Leeds. Ele tinha 3.400 camisetas de algodão orgânico encomendadas e queria confirmar a data de embarque antes da reunião de compras da tarde.

Houve uma pausa curta na linha. Daniel respondeu com educação, mas devagar, como quem confere se discou certo: “Sorry, is this Vale Azul?” (desculpe, é da Vale Azul?). Marina confirmou, a data foi acertada e a ligação terminou bem. Mesmo assim, ela ficou com a sensação de ter tropeçado logo na entrada.

Tinha tropeçado, por dois motivos. A frase não dizia a Daniel onde ele tinha caído, e o “I am Marina” (eu sou a Marina) soava como apresentação de festa, a pessoa que estende a mão para um desconhecido. O “Who is speaking?” (quem está falando?), seco e logo na largada, completou a impressão de um atendimento que cobrava identidade antes de oferecer ajuda.

O gerente de exportação, Sérgio Albuquerque, que trabalhou seis anos numa trading em Manchester, ouviu a ligação da mesa ao lado. Escreveu num post-it a versão que usa até hoje e colou no telefone de Marina: “Vale Azul, Marina speaking, how can I help?”

Tirando a empresa, são seis palavras. A primeira metade entrega quem atende; a segunda devolve a vez a quem ligou, que já pode dizer o que precisa sem conferir se está no lugar certo.

Na ligação seguinte, de uma fornecedora de botões em Dublin, Marina leu o post-it. A cliente foi direto ao assunto na primeira frase, sem pausa e sem pergunta de confirmação.

Adiante, as peças da saudação e as variações para recepção, ramal direto e celular; por que o inglês estranha o I am ao telefone e o que responder quando alguém pergunta por você; e como o noticiário em inglês usa speaking para contar quem falou com a imprensa.

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I  A EXPRESSÃO

Nome primeiro, ajuda logo depois

A frase do post-it de Sérgio tem três peças. O nome da empresa diz a quem ligou que o número está certo. Marina speaking (Marina falando, aqui é a Marina) identifica quem atende. How can I help? (como posso ajudar?) devolve a palavra para quem ligou.

Speaking sem o resto

Marina speaking é a forma curta de This is Marina speaking (quem fala é a Marina). No telefone, o inglês corta o começo e deixa só o nome e o gerúndio (a forma terminada em ing), como um crachá falado. A versão curta serve para qualquer ligação de trabalho, da recepção ao ramal do financeiro.

A ordem importa: o nome vem antes de speaking. Speaking Marina não existe em inglês e soa como tradução palavra por palavra de “falando, Marina”.

How can I help ou how may I help you

How can I help? é a versão neutra, boa para quase toda ligação. How may I help you? (em que posso ajudar?) é mais formal e aparece em recepção de hotel, banco e central de atendimento. What can I do for you? (o que posso fazer por você?) é mais pessoal, para cliente que já conhece quem atende.

Quem atende diz o nome e oferece ajuda, nessa ordem.

As variações por linha

Na linha geral da empresa, vale o pacote completo: Good morning, Vale Azul, Marina speaking, how can I help? (bom dia, Vale Azul, Marina falando, como posso ajudar?). O good morning vale até o meio-dia; à tarde, good afternoon (boa tarde).

No ramal direto, quem liga já sabe a empresa, então basta setor e nome: Export department, Marina speaking (departamento de exportação, Marina falando). No celular de trabalho, quando o número de quem liga já é conhecido, Hi, Marina here (oi, Marina aqui) é aceito no inglês britânico e no americano.

Quando o número não aparece na tela, evite atender só com Hello? (alô?). A palavra solitária obriga quem ligou a perguntar onde caiu, a mesma pausa que Daniel fez. Acrescente o próprio nome, mesmo no celular.

O tom da subida

Em how can I help, a voz sobe levemente na última palavra, como pergunta real. Dita em tom reto, a frase parece gravação de central; com a subida, soa como disposição para ouvir. Marina treinou gravando a saudação no próprio celular até o help subir sem esforço.

 
 

II  O ERRO DO BRASILEIRO

I am Marina, a apresentação de festa

Marina Lopes não errou a gramática. I am Marina é uma frase correta, e é exatamente o que ela diria ao conhecer Daniel Reeves pessoalmente numa feira de moda. O problema estava no lugar onde ela foi dita.

Rosto na frente, voz na linha

Cara a cara, quem diz I am está ao lado do próprio rosto: a frase completa a imagem que o outro já vê. Ao telefone, só chega a voz, e o inglês trata essa voz como algo a ser apontado. Daí o this (isto, este): a pessoa indica a própria voz na linha, como quem aponta um objeto sobre a mesa. Quem atende diz this is Marina (aqui é a Marina) ou Marina speaking.

Ao telefone, a voz se aponta: this is ou speaking, nunca I am.

O who is speaking que soa como portaria

A segunda metade da frase de Marina pesou mais. Who is speaking? dito na saudação pede identificação antes de oferecer qualquer ajuda, como porteiro de prédio. Quando precisa mesmo saber quem ligou, quem atende pergunta depois de ouvir o assunto: May I ask who's calling? (posso perguntar quem fala?). O may I ask amacia a pergunta e mostra que o nome vai servir para encaminhar o assunto.

Para anotar a empresa de quem ligou, And which company are you calling from? (e de qual empresa você está ligando?). Para conferir a grafia, Could you spell that for me? (pode soletrar para mim?).

Quando perguntam por você

Outra armadilha aparece quando quem liga quer falar justamente com a pessoa que atendeu: Could I speak to Marina Lopes, please? (posso falar com a Marina Lopes, por favor?). O brasileiro tende a responder It's me (sou eu) ou repetir I am Marina. A resposta curta e natural é Speaking (é ela, sou eu); em registro formal americano, This is she (é ela).

Speaking sozinho soa seco ao ouvido brasileiro, mas em inglês é cortesia: poupa o tempo de quem ligou. Marina passou a emendar how can I help? logo em seguida, para a resposta não ficar solta.

O que não dizer

Três aberturas comuns entre brasileiros soam estranhas na linha. Here is Marina é tradução literal de “aqui é a Marina” e não se usa; o inglês diz this is. I am Marina, who is speaking? soa como apresentação seguida de cobrança. Yes? (sim?) sozinho, ao atender, parece impaciência.

 

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III  INGLÊS DE NOTÍCIA

Speaking to reporters, quem falou com a imprensa

O speaking que Marina usa para se identificar aparece todos os dias nas reportagens em inglês, num papel vizinho: indicar quem falou e a quem. A estrutura mais comum abre a frase pelo veículo: Speaking to the BBC, the minister said the deal was close (em entrevista à BBC, o ministro disse que o acordo estava próximo).

Speaking to, a fonte da fala

Speaking to (falando a, em entrevista a) diz onde a declaração foi feita. Speaking on condition of anonymity (falando sob condição de anonimato) marca a fonte que não quer ser identificada. Speaking at a conference (falando numa conferência) indica o evento. O leitor conhece o contexto antes de chegar à declaração.

Spokesperson, a voz da empresa

Quando a fala vem de uma empresa, o noticiário usa a spokesperson (um porta-voz): A spokesperson for the retailer said stores would stay open (um porta-voz da varejista disse que as lojas continuariam abertas). A palavra vem de speak (falar) somado a person (pessoa).

Speaking identifica quem fala, na linha e na manchete.

Took a call, a ligação na notícia

Para telefonema de autoridade, a reportagem escreve took a call from (recebeu uma ligação de): The prime minister took a call from the French president on Monday (o primeiro-ministro recebeu uma ligação do presidente francês na segunda). Held a phone call with (teve uma conversa por telefone com) descreve a conversa combinada com antecedência por dois chefes de governo.

Declined to comment

O silêncio também vira notícia. Declined to comment (não quis comentar) e did not respond to a request for comment (não respondeu à solicitação de comentário) aparecem quando a empresa procurada fica calada. As duas fórmulas mostram a mesma lógica da saudação de Marina: em inglês, quem fala se identifica pelo papel antes do conteúdo.

“Como você atende hoje a ligação de um número estrangeiro: com o seu nome e speaking, ou com um I am que ninguém espera?”

Confira antes de atender a próxima ligação em inglês:

1. na linha geral, a saudação começa pela empresa, como Vale Azul

2. logo depois vem o seu nome seguido de speaking, no lugar de Marina

3. a pergunta final é how can I help?, sem nenhum I am ou who is speaking? antes dela

 
 
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Qual frase o gerente de exportação, Sérgio Albuquerque, escreveu no post-it que colou no telefone de Marina?

AHello, I am Marina. Who is speaking?
BVale Azul, Speaking Marina, how can I help?
CVale Azul, Marina speaking, how can I help?
DVale Azul, Marina Lopes, what do you need?

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