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O elogio de duas palavras que o canal do time aceita
Kudos to Ana on the launch elogia sem bajular, e sympathetic é solidário com quem está mal, não simpático de conviver.
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O crachá virado antes do elogio
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"Kudos to Ana on the launch, she rebuilt the checkout in four days", escreveu Priya Raman, gerente de produto, no canal #general do time em Dublin, às nove e doze de uma segunda, com a diretora e mais oitenta pessoas lendo. A mensagem tinha duas linhas e ninguém achou puxa-saquismo. Meia hora depois, um analista brasileiro respondeu na mesma thread: "Congrats Ana, you are so sympathetic".
As duas mensagens tinham o mesmo objetivo, reconhecer o trabalho de uma colega diante de todo mundo. Uma entregou crédito público com endereço e prazo. A outra informou ao canal inteiro que Ana era compreensiva com quem estava passando por um momento difícil, o que ninguém tinha comentado e nem vinha ao caso naquela manhã.
O elogio público em inglês corporativo tem um molde estreito, e o molde é justamente o que impede o texto de escorregar para a bajulação. Ele nomeia a pessoa, nomeia o que ela fez, e para. Nada de adjetivo sobre o caráter dela, nada de superlativo, nada de exclamação dobrada. O reconhecimento vale porque é verificável: quem lê consegue conferir o feito.
O tropeço do analista é de outra ordem e mora numa das armadilhas mais caras entre as duas línguas. Sympathetic parece "simpático" na primeira olhada, tem a mesma raiz grega e a mesma quantidade de sílabas, mas mudou de campo há séculos. A palavra inglesa fala de quem sente junto, de quem apoia alguém em apuros. O adjetivo brasileiro de quem é agradável de conviver mora em outro lugar do dicionário, e usar um pelo outro num canal público troca elogio por consolo não pedido.
Vale montar as duas peças na ordem em que o dia de trabalho cobra: primeiro a fórmula curta que dá crédito sem bajular, depois o par de adjetivos que separa a solidariedade do bom convívio.
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I A EXPRESSÃO
O molde curto que dá crédito sem bajular |
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Kudos significa reconhecimento, crédito, mérito público pelo que alguém fez. Kudos to the whole team. Parabéns ao time inteiro. A palavra vem do grego kydos, glória, e entrou no inglês pela gíria de universidade britânica no século dezenove.
A construção padrão tem três encaixes fixos e não admite improviso. Kudos to mais a pessoa, mais on e o resultado, ou mais for e a ação. Kudos to Ana on the launch. Kudos to Ana for shipping the launch on time. O primeiro aponta o marco, o segundo aponta o esforço.
Um detalhe de gramática derruba brasileiro em texto escrito. Kudos termina em s, mas é substantivo incontável e leva verbo no singular. Kudos is due to the design team. O crédito é do time de design. Ninguém escreve kudo no singular, e falante nativo estranha na hora.
Por que o elogio curto soa verdadeiro
O molde funciona porque prende o elogio a um fato conferível. Nome próprio, entrega concreta, prazo ou número. Kudos to Marcos on closing three renewals this week. Quem lê o canal sabe se as renovações fecharam, e o reconhecimento fica de pé sozinho.
O elogio que escorrega para o caráter da pessoa é o que soa a bajulação. You are amazing, you are the best, you always save us. Nenhuma das três frases informa nada, e todas colocam quem escreve na posição de fã. Troque o adjetivo pelo verbo do que foi feito e o texto volta ao eixo.
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Elogie o feito, nunca a alma: nome próprio mais verbo de entrega mais prazo cabe em duas linhas, passa em qualquer canal público e ninguém confunde com puxa-saquismo.
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O tamanho também trabalha a favor. Três linhas bastam. Elogio longo em canal aberto obriga o time inteiro a ler, e a mensagem que consome atenção de oitenta pessoas precisa devolver informação, não emoção.
As outras fórmulas que circulam no time
Shout-out é a menção pública rápida, do vocabulário do rádio americano. A quick shout-out to Bea for the data cleanup. Uma menção rápida para a Bea pela limpeza dos dados. Registro informal, perfeito para canal de time e ruim para email a cliente.
Hat tip, abreviado h/t, é o crédito a quem apontou a informação. H/t to Rafa for spotting the bug. Crédito ao Rafa por ter achado o defeito. Vive em post de blog e em mensagem interna de quem repassa um achado alheio.
Props to é o primo de gíria de kudos, vindo de proper respect. Props to the support team for the weekend shift. Respeito ao time de suporte pelo plantão do fim de semana. Serve entre pares e desce mal em comunicado formal.
Credit where credit is due é a expressão pronta de quem reconhece mérito até de quem discorda. Credit where credit is due, their forecast was right. É preciso reconhecer, a previsão deles estava certa. Guarde também to give someone credit for something, o verbo do reconhecimento formal em avaliação de desempenho.
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II O ERRO DO BRASILEIRO
Sympathetic é sentir junto, friendly é ser boa companhia |
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Sympathetic descreve quem entende e apoia alguém que está passando por dificuldade. She was very sympathetic when I explained the delay. Ela foi muito compreensiva quando expliquei o atraso. O adjetivo pede uma situação ruim do outro lado, sempre.
Existe um segundo uso, de concordância parcial, que aparece em reunião de decisão. I am sympathetic to your proposal, but the budget says no. Eu tenho simpatia pela sua proposta, no sentido de apoio, mas o orçamento não permite. A frase sinaliza boa vontade sem prometer aprovação.
O substantivo sympathy é ainda mais estreito e cerca o campo do pesar. Please accept my sympathies. Meus sentimentos. Escrever you have my sympathy para um colega que acabou de entregar um projeto sugere que algo terrível aconteceu com ele.
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"How selfish soever man may be supposed, there are evidently some principles in his nature, which interest him in the fortune of others, and render their happiness necessary to him."
> Adam Smith, The Theory of Moral Sentiments, 1759.
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Smith abre o livro com essa frase para descrever exatamente o que o inglês chama de sympathy: o mecanismo de se colocar na situação alheia e sentir o que o outro sente. O português pegou a mesma palavra grega e a levou para o campo do convívio agradável, enquanto o inglês a manteve no campo da compaixão, e o falante brasileiro não faz essa ponte sozinho.
Os adjetivos que ocupam o lugar certo
Friendly é o mais próximo do simpático brasileiro do dia a dia. The new manager is really friendly. O gerente novo é bem simpático. Cobre quem cumprimenta, puxa conversa e deixa o ambiente leve.
Nice é o genérico de pessoa agradável, e serve para primeira impressão. He seems nice. Ele parece gente boa. Fraco demais para recomendação escrita, porque não informa competência nenhuma.
Warm é o simpático que acolhe, usado em carta de recomendação e em perfil de liderança. A warm and direct leader. Um líder acolhedor e direto. Ganha do nice em qualquer texto formal.
Personable e likeable cobrem quem tem trato fácil com clientes e com o time. A personable account manager. Um gerente de contas de bom trato. Personable aparece bastante em anúncio de vaga comercial.
Easy to work with é o elogio profissional que o time realmente lê como recomendação. Ana is easy to work with. Ana é fácil de trabalhar junto. Vale mais numa avaliação do que qualquer adjetivo de personalidade.
Como consertar a frase do canal
O analista queria dizer que Ana é boa de conviver e entregou um consolo. A correção é de uma palavra. Congrats Ana, you are so friendly conserta o sentido, embora ainda troque o elogio do feito pelo elogio da pessoa.
A versão que o canal esperava junta as duas lições do dia. Congrats Ana, the checkout rebuild was impressive. Parabéns Ana, a reconstrução do checkout foi impressionante. Adjetivo no trabalho, não no caráter, e nenhum falso amigo no caminho.
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